Moradores do Guarapes participam de simulação para situações de alagamento e deslizamento de terra

.. sábado, 6 de abril de 2013



Durante ação, foi simulado um princípio de desmoronamento com vítima sob os escombros. Para o Tenente Góis (foto), simulação deixa população ciente do seu papel. Foto: José Aldenir
Durante ação, foi simulado um princípio de desmoronamento com vítima sob os escombros. Para o Tenente Góis (foto), simulação deixa população ciente do seu papel. Foto: José Aldenir
Às 22h desta sexta-feira (5), a Secretaria Nacional de Defesa Civil, por meio dos serviços meteorológicos, enviou um comunicado para a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, alertando para a possibilidade de fortes chuvas na zona Oeste de Natal, em especial no bairro dos Guarapes, com probabilidade de alagamento e deslizamento de terra. De imediato, acionou a Coordenadoria da Defesa Civil de Natal, que começou a colocar em prática o Plano de Contingência Municipal. Às 5h da manhã deste sábado (6), a Secretaria Nacional da Defesa Civil confirmou, por meio de email e SMS, o alerta. Pouco depois das 8h da manhã do sábado, foi dado o alerta à comunidade, em que as famílias começaram a se preparar para evacuar a área. Às 9h, o alarme foi acionado, e por um sistema sonoro foi dado o sinal de evacuação à população. As famílias começaram a ser retiradas e encaminhadas para a Escola Municipal Professor Francisco Assis Varela Cavalcanti, poucos metros da área atingida, que funcionou como abrigo temporário. Cerca de 20 minutos depois, todas as vítimas foram retiradas, sem nenhuma intercorrência.
A situação descrita foi realizada durante a manhã deste sábado (6), no bairro dos Guarapes, na zona Oeste de Natal e simulou a retirada e o acolhimento de pessoas em uma situação de alagamento e deslizamento de terra, dentro da Simulação de Ação de Emergência numa Área de Risco, sob a coordenação da Comissão Municipal de Defesa Civil, departamento vinculado à Secretaria Municipal de Defesa Social (Semdes). Essa foi uma situação simulada, mas a intenção é de que aconteça da mesma forma quando for uma situação real. Cerca de 30 famílias, totalizando uma média de 150 pessoas, participaram da ação.
Durante a ação, os bombeiros simularam o princípio de desmoronamento em que o proprietário do imóvel ficou sob os escombros. A vítima foi tratada como se tivesse tido um trauma. Imediatamente a equipe do Samu e de resgate do Corpo de Bombeiros, resgatou a vítima que foi transferida para o hospital mais próximo. A área, por ser considerada como uma zona crítica foi isolada. Situações como estas, não estavam previstas, mas também foram simuladas, pois podem surgir repentinamente durante o sinistro real. Infelizmente, algumas famílias resistiram à ação e se recusaram em abandonar a casa e participar da simulação. O capitão Rudyard Paiva, da Defesa Civil de São Paulo, explicou que, em casos reais, em situações de extremo risco de alagamento e de deslizamento de terra, o Estado pode intervir e fazer valer o direito a vida das pessoas.
O tenente André Góis, gerente do Corpo de Bombeiros na Operação, destacou a importância da simulação. “É uma ação importante tanto para a população, quanto para os órgãos, pois todos ficam cientes dos seus papéis numa eventual situação real. O sucesso em uma situação real depende do conhecimento da área. Não realizamos apenas situações de socorro, mas queremos evitar que isso venha a acontecer”, disse o tenente que considerou a ação como positiva.
Segundo o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, atuar preventivamente é fundamental para a população do estado, tendo em vista que o ciclo de estiagem está prestes a terminar. “Mesmo a gente considerando que o Nordeste ainda está em seca, temos um período de chuvas que já se aproxima no mês de maio”, destacou. Durante a semana, foram realizadas palestras com foco em desastres naturais para alertar a comunidade, uma vez que o pilar dos simulados é a prevenção. “Nós estamos adotando no Brasil uma cultura que não se tinha antes e que a gente sabe com muita clareza e segurança que dá resultado”, ressalta Humberto Viana.
Cerca de 100 profissionais estiveram envolvidos na simulação, entre bombeiros, policiais militares, agentes de defesa civil estadual, municipal de 26 cidades, e da Secretaria Nacional de Defesa Civil. De acordo com o coordenador da Defesa Civil Estadual do RN, Josenildo Acioli, esse tipo de atividade também contribui para testar o tempo de resposta de equipes que atuam diretamente em situações de desastres, como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. “Um dos aspectos importantes dos simulados é o de motivar os órgãos e ver como eles estão se articulando. O simulado serve também para que as pessoas entendam a percepção do risco e se conscientizem de um possível desastre”, explica o tenente-coronel Acioli.
O coordenador da ação e secretário adjunto de Defesa Civil e Direitos Humanos da Semdes, Urbano Medeiros Lima, destacou a importância do simulado, em que foi colocado em prática o Plano de Contingência que tem por objetivo mapear as áreas de risco e estabelecer atribuições e responsabilidades de cada órgão envolvido. Durante a semana, a Semdes fez vistoria no Guarapes para conhecimento do espaço geográfico onde estão localizadas as residências que serão desocupadas durante a ação, bem como o local onde as pessoas serão alojadas, que é a Escola Municipal Francisco Varela Cavalcanti. Também foi conhecida a área onde ficará o Samu, o Corpo de Bombeiros e a Guarda Municipal.
“Na Defesa Civil precisamos trabalhar de forma preventiva e articulada com os vários órgãos envolvidos para evitar surpresas no momento real de alagamento e de chuva intensa. Esses órgãos devem estar sempre preparados para agir e socorrer as pessoas evitando dessa forma a ocorrência de prováveis acidentes”, destacou Urbano Medeiros. Para o coordenador, a ação é importante porque ensina como remover pessoas para locais de abrigo como se fosse um fato real. Guarapes tem cerca de 20 mil habitantes e a área escolhida sofre com alagamento, e por estar localizada nas proximidades de dunas, o risco de deslizamento de massas é iminente. “O papel da Defesa Civil é integrar e pactuar com os mais de 20 órgãos que estão envolvidos nessa ação para que todos estejam prontos para atuar”.
Urbano Medeiros disse que esta não é uma ação isolada da Semdes, mas adiantou que na próxima semana será iniciado o monitoramento das áreas de riscos. De acordo com informações da Semdes, Natal tem 74 áreas de risco, sendo 22 dessas de alto risco, além de seis a oito pontos de altíssimo risco. São exemplos desses lugares a Lagoa do Jacó, próxima ao Centro de Turismo e a Lagoa do Taraocá, na zona Norte. Na quinta-feira, a (Semdes) entregou duas novas viaturas à Defesa Civil. Os veículos serão utilizados para fiscalização e identificação de áreas de risco de deslizamento de terra, áreas de lagoas pluviais e condições de estruturas prediais. Incluída nas práticas de inspeção, a Defesa Civil deve orientar, quando encontrada uma nova área de risco, os moradores de como devem proceder e esclarecer sobre as necessidades e for o caso, de sair do local.
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